A prorrogação do horário de votação até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou impasse em escolas da capital paulista que já haviam encerrado os trabalhos neste domingo, 25 de outubro de 2026.
A decisão ocorreu após problemas no transporte público e pedidos das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A medida determinou a extensão do horário em todo o país.
Mesários relataram falta de orientação em unidades de São Paulo, enquanto eleitores aguardavam diante de portões fechados. A situação foi registrada em locais como o Colégio Fidelino de Figueiredo, no Centro, e a EMEF Emiliano Di Cavalcanti, na Zona Leste.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que as zonas eleitorais do estado foram comunicadas sobre a decisão. A apuração também reuniu relatos sobre o fechamento de escolas e a resposta da Justiça Eleitoral para as seções que já tinham encerrado a votação.
Decisão de Zanin e problemas no transporte público
Na determinação, Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu que o recebimento dos votos fosse estendido por duas horas, até as 19h no horário de Brasília, em todas as seções do país. A decisão atribuiu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a responsabilidade de executá-la.
Os pedidos das campanhas tinham abrangências distintas: a coligação de Luiz Inácio Lula da Silva solicitou a extensão em municípios afetados por falhas no transporte, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro pediu mais duas horas em cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. A solicitação inicial incluía municípios de pelo menos nove estados, entre eles São Paulo.
Na capital paulista e na Grande São Paulo, foram relatados ônibus parados nas ruas, garagens cheias de coletivos e demora na circulação. Passageiros também enfrentaram longas esperas em pontos e terminais, problemas que motivaram os pedidos de prorrogação do horário de votação.
Escolas fechadas e relatos de eleitores impedidos de votar
No Colégio Fidelino de Figueiredo, no Centro, uma mesária disse que a orientação recebida era encerrar a votação às 17h. As seções foram fechadas nesse horário, e, segundo ela, as urnas já tinham sido recolhidas e as cabines desmontadas quando os mesários aguardavam instruções do cartório eleitoral.
A mesária relatou que os presidentes de seção e os demais trabalhadores foram orientados a permanecer na escola enquanto esperavam novas informações. Ela também afirmou que, por estarem no colégio, não conseguiam verificar se havia eleitores aguardando para votar.
Na Universidade Anhembi Morumbi, na Mooca, um mesário informou que a votação seguia em andamento, embora uma urna já tivesse sido fechada. De acordo com o relato, o cartório orientou que a intenção de votar de quem chegasse a uma seção encerrada fosse anotada em ata; os procedimentos de fechamento continuariam, mas os documentos não deveriam ser colocados no envelope até nova orientação.
Eleitores também encontraram portões fechados na EMEF Emiliano Di Cavalcanti, na Zona Leste, onde uma pessoa disse esperar havia mais de uma hora pela reabertura e imagens registraram ao menos 12 pessoas do lado de fora. Na EMEI Francisca Julia da Silva, no Jardim Ângela, uma eleitora relatou que aguardava autorização para entrar enquanto os mesários se preparavam para sair. Em apuração realizada até as 18h, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e a EE Aroldo Azevedo, em Sapopemba, constavam como abertas; entre as unidades fechadas estavam o Mackenzie e a EMEI Francisca Julia da Silva.
Posição do TRE-SP e computação dos votos registrados
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) declarou que todas as zonas eleitorais do estado foram comunicadas sobre a decisão e que a determinação estava sendo cumprida. O tribunal também esclareceu que as urnas de seções cujo encerramento já havia ocorrido não poderiam ser reabertas.
Segundo o TRE-SP, os votos registrados nessas seções serão computados e totalizados integralmente, sem prejuízo. A manifestação se referia aos trabalhos já encerrados antes de os locais receberem novas orientações sobre a extensão do horário.
O TSE informou que 1.225 seções eleitorais no Brasil já tinham tido votos para presidente apurados. Naquele registro, Luiz Inácio Lula da Silva aparecia com 57,66%, equivalentes a 193.574 votos, e Flávio Bolsonaro, com 42,34%, ou 142.169 votos; a totalização, que já havia começado, foi interrompida após a decisão de prorrogação.


